Vender online tem uma particularidade que muita loja descobre tarde: o marketplace informa ao fisco tudo o que passou por ele. Quando a declaração da sua empresa não bate com essa informação, a divergência aparece sozinha — sem precisar de fiscalização presencial.
Erro 1: declarar o repasse em vez da receita bruta
O canal desconta comissão, frete, taxa de antecipação e às vezes retém imposto. O que cai na sua conta é bem menor do que o cliente pagou. Mas a receita a declarar é o valor bruto da venda — as taxas são despesa da empresa, não redução de receita.
É o erro mais comum e o mais fácil de detectar: basta comparar o relatório do marketplace com a declaração. A correção envolve retificação e, se houve recolhimento a menor, a diferença com acréscimos.
Erro 2: NCM e CFOP preenchidos no automático
O NCM classifica o produto e determina a tributação. O CFOP descreve a natureza da operação. Quando o cadastro de produtos é importado de planilha ou copiado do fornecedor sem revisão, os dois saem errados — e cada nota emitida repete o erro.
Vale a pena revisar o cadastro por curva ABC: comece pelos produtos que representam a maior parte do faturamento. Costuma ser um punhado de itens resolvendo a maior parte do risco.
Erro 3: DIFAL esquecido
Venda para consumidor final em outro estado envolve o diferencial de alíquota, com regras que variam conforme o destino, o produto e o regime da empresa. Empresas do Simples têm tratamento próprio.
O padrão da história é sempre o mesmo: a loja começa vendendo na região, cresce, passa a vender para todo o Brasil e só descobre o DIFAL quando chega a cobrança de um estado onde ela nunca pisou.
Erro 4: estoque sem controle contábil
Sem controle de estoque não existe CMV — o custo da mercadoria vendida. E sem CMV não existe margem. O relatório mostra quanto entrou, nunca quanto sobrou por produto.
É o ponto que separa uma contabilidade que serve para gerir de uma que só entrega guia. Não é raro o lojista descobrir, ao montar esse número pela primeira vez, que o produto campeão de vendas é justamente o de menor margem — e que o lucro real vem de um item que ele nem divulgava.
Erro 5: conciliação que ninguém faz
Cada canal entrega o relatório em um formato. Um mostra a venda, outro o repasse, outro o saldo depois da antecipação. Sem conciliar venda a venda com o extrato bancário, três coisas passam despercebidas: taxa cobrada a mais pelo canal, venda cancelada que continuou tributada e repasse que simplesmente não chegou.
Conciliação mensal não é preciosismo contábil. É, com frequência, o serviço que se paga sozinho.
Um checklist rápido para a sua loja
- A receita declarada bate com o relatório de vendas de cada canal?
- Os NCMs dos seus 20 produtos mais vendidos foram conferidos por alguém?
- Você apura DIFAL para os estados para onde vende?
- Você sabe a margem líquida por produto, depois de taxas e frete?
- Alguém concilia repasse contra extrato todo mês?
Se você respondeu "não sei" para duas ou mais, vale uma revisão. Normalmente o problema não é grande — só está crescendo em silêncio.
Este conteúdo é informativo e não substitui a análise do seu caso concreto. Regras tributárias mudam — confirme a situação da sua empresa com um contador antes de decidir.
Falar sobre o meu caso